Tudo em ti é profano
Ainda que gente o desminta,
Aquilo qu’eu vejo de divino
É tudo o que teu coração não sinta.
Teus gestos de falsa paixão
Provocam somente oceanos de dor
E teu olhar, d’um maléfico fulgor
Faz sangrar sem compaixão!
Não importando os sonhos que destróis,
Labaredas soltam-se de tua língua calculista,
Fazes com que nenhuma Casa resista
A essa tua fúria de mil sois.
Cheiroso afecto da tua pele transparece,
Encantador, belo e enganador,
Ao teu Sangue perpetuamente negado
Só ao alheio oferecido em esplendor.
Descosidos sorrisos de perigos irreais
E coração há muito sem cor
Repleto de sentimentos bestiais.