
Avassalador desconhecimento
Causador de profunda agonia,
Para quê as memorias e o sentimento
Se tudo acabará um dia?
Porque vos guardo ó fotografias,
(por entre deuses ou lógicas)
Nas minhas estantes empoeiradas
Se quando cessar, não mais serão por mim lembradas?
Para quê o amor ou o ódio,
(oh! quão nada que somos),
Para quê o lembrar e o pódio
Se do sentido jamais seremos donos?
Porque o beijas tu, ó menina?
Pois não sabes a tua sina?
É a morte e o esquecimento
Prenda atroz, da volúpia do tempo…
Porque dizes ama-lo loucamente?
E porque te diz ele qu’o mesmo sente?
Não sabeis estar indeclinávelmente fadados,
Ao negro fado, de serem um p'lo outro deslembrados?
Para quê (raios!) o conflito e a vitória
(Iludidas mentes p’lo universo inexistente…)
Para quê os derrotados e a escória
Têm tanto não tendo nada, como toda a errante gente.
(Vãs liberdades totalitárias,
Vagas ditaduras democráticas,
Paradoxos dogmas da crença vulgar…
Sim! E outras belezas d’encantar!
Bons deuses malfeitores,
Malvadas divindades libertadoras…
Atentai nas palavras minhas, ó doutores:
Nem vós durareis, face ás apressadas horas…)
Tão avassalador desconhecimento
Causador de minhas profundas agonias,
Não sou carne nem sou vento…
Somos senão cheiro de defecadas teorias,
Cagadas por mentes aborrecidas…