
(Feito a partir d'uma ideia algo apodrecida na minha cabeça e o impulso causado pelo sublime ambiente músical de Löbo - http://www.myspace.com/lobodoom )
(i.)
Misantrópico paradoxo
Ou uma amalgama humana,
Inexistêncialismo contraditório
Dotado de consciência…
Sou(?) no meio de tantos,
O que tantos foram no meu meio…
Reneguei ideais e “ismos” e santos,
Porém, guardei-os no meu seio…
(ii.)
Uno, desfaço-me em coisa alguma:
Sou ecos fragmentados,
Fornicados p’lo dogma…
Sou átomos desarticulados…
Algo crente na descrença
Que crio qual doença,
Matei os meus “eus”
Criando um outro falso deus,
E para (talvez) me libertar…
Acorrentei-me ao meu gritar:
( “Sou-o, revolução decibel e agressivo!”
Disse-o urrando e a berrar,
“Fui-o…” – fatigado e aborrecido,
“Estou prestes a cessar…” )
(iii.)
Durmo sabendo-me acordado,
Movo-me sem saber se fui sonhado,
Inventei seres, certezas e alegorias
Pois perdi a lembrança dessas memórias…
Que por medroso ser criei…
Pior! Pois absurdo acreditei
Não conseguir ânimo para dizer
À criança dentro de mim (que cessou de engrandecer),
Que tinha de morrer, enfim…
Criança ela, que nunca cuidou ser morta por mim…
Presumível feto, definhou (sem) o Ser no ventre oco...
Aborto imaginário tornado realidade d’um louco.
(iv.)
…iremos todos amanhã perceber.
Amanhã, quando me esquecer de ser.
Quando a carcaça abandonar o ser incolor
E o pensar for apenas mais um fétido odor…
Mas por agora, Inexistêncializo-me aqui em baixo.
Vou-me esconder debaixo do meu seixo,
Morno desconsolo e aconchegante,
Porque só ele sabe acalmar este desconforto lancinante.
(v.)
Insânia paranóia
Vago descontrolo
Insónia ilusória…
Ilusório é o controlo.
Pois não foi nunca meu cadáver
Que a gravidade tem puchado…
Mas sim o cheiro de minh’alma,
Presa, neste feio lugar descuidado.