(...)

"Mas eu não quero ir ter com os loucos", observou Alice.
"Não tens alternativa". Retorquiu o Gato.
"Nós aqui somos todos loucos. Eu sou louco, tu és louca".
"Como é que sabes que eu sou louca?" perguntou Alice.
"Deves ser", disse o Gato, "ou não terias vindo até aqui".

20090511

Dogma Humanitário



Avassalador desconhecimento
Causador de profunda agonia,
Para quê as memorias e o sentimento
Se tudo acabará um dia?

Porque vos guardo ó fotografias,
(por entre deuses ou lógicas)
Nas minhas estantes empoeiradas
Se quando cessar, não mais serão por mim lembradas?

Para quê o amor ou o ódio,
(oh! quão nada que somos),
Para quê o lembrar e o pódio
Se do sentido jamais seremos donos?

Porque o beijas tu, ó menina?
Pois não sabes a tua sina?
É a morte e o esquecimento
Prenda atroz, da volúpia do tempo

Porque dizes ama-lo loucamente?
E porque te diz ele qu’o mesmo sente?
Não sabeis estar indeclinávelmente fadados,
Ao negro fado, de serem um p'lo outro deslembrados?

Para quê (raios!) o conflito e a vitória
(Iludidas mentes p’lo universo inexistente…)
Para quê os derrotados e a escória
Têm tanto não tendo nada, como toda a errante gente.

(Vãs liberdades totalitárias,
Vagas ditaduras democráticas,
Paradoxos dogmas da crença vulgar…
Sim! E outras belezas d’encantar!
Bons deuses malfeitores,
Malvadas divindades libertadoras…
Atentai nas palavras minhas, ó doutores:
Nem vós durareis, face ás apressadas horas…)

Tão avassalador desconhecimento
Causador de minhas profundas agonias,
Não sou carne nem sou vento…
Somos senão cheiro de defecadas teorias,
Cagadas por mentes aborrecidas…

4 comentários:

Angelo Morgado disse...

ho lvis eu sei k vai soar a treta mas a verdade é k nao ha muitas formas de poder descrever a sensação de ler os teus pensamentos es espetacular!!!!
A proposito as imagens estao bombàsticas!

Lviz disse...

!!!
bem, eu agradeço-te pelas palavras de apreço!

estava em duvida em por este... já estava de lado à algum tempo, e só não o publiquei porque penso não ter conseguido passar bem aquilo que realmente queria. a mensagem esta lá... mas só não como queria. mas ainda bem que pus aqui assim sendo =)

mais uma vez obrigado por leres e pelas tuas palavras,

Luís

Victor disse...

Olá.

Na minha óptica eu creio que conseguiste transmitir uma mensagem bastante interessante.

A questão do conhecimento (da técnica e da ciência), das teorias de tudo e para tudo e mais alguma coisa, a memória e a experiêcia, é uma questão muito pertinente. Afinal para quê tudo isso?

"Para quê o amor ou o ódio".
Já em relação a estes assuntos, não sei bem o que dizer senão deixar-me levar por o que sinto - seja amor ou ódio. E creio que a tua estrofe em forma de pergunta mostra bem o que sentes em relação a isso. Partilho dessa óptica.

Em estrofes adiante mencionas a razão de conflitos. Sobre este aspecto (entre outros) sugiro a visão dos primeiros 20 minutos do filme "2001 - Odisseia no Espaço" - brilhante!

Na verdade, o teu poema é fabuloso já que mereceu a atenção de vários leitores - da minha parte uma pequena e incompleta análise minha, inteiramente subjectiva - outros leitores saberão o que sentir ao ler estas linhas pertinentes!

Abraço!

Lviz disse...

=)

sim, relativamente ao "ódio" e ao "amor"... tal como os demais sentimentos, "que remédio" senão deixarmos-nos ir... afinal, são eles que fazem de nos o que somos (seja isso bom ou mau) =P

...o filme "2001 - Odisseia no Espaço":) já vi faz algum tempo e gostei! Essa parte do inicio que falas, a dos macacos, esta muito bem conseguida, pois acho que reflecte um comportamento intemporal no ser humano, desde os nossos primórdios até hoje, a tão auto-aclamada "civilização". Acho que está la um pouco de tudo, desde as questões sociais e comportamentais às de forro psicológico como a própria criação de deus/deuses (a pedra rectangular) Muito bom!

Abraço