(...)

"Mas eu não quero ir ter com os loucos", observou Alice.
"Não tens alternativa". Retorquiu o Gato.
"Nós aqui somos todos loucos. Eu sou louco, tu és louca".
"Como é que sabes que eu sou louca?" perguntou Alice.
"Deves ser", disse o Gato, "ou não terias vindo até aqui".

20100204

recordação

(Deixo mais um dos primeiros textos que escrevi. Este encontrei-o nas costas d'um enunciado de exame do 1º ano da faculdade... Não é que o tivesse achado particularmente bom ou diferente, partilho-o apenas porque lhe achei piada...)
A lua há muito que me desapareceu. E a cálida Noite, inconsciente acolhedora dos nossos passados cheios d’um sorriso apenas sussurrado, findou. Deu lugar á cruel veracidade do Dia, cegante d’uma luz grosseira, nauseabunda. Desconfortável. Cheio de perniciosos espectros que deambulam em pares, num pomposo sem-sentido aparente. (Odeio-os.) Caminham com sorrisos vazios cravados na face… (Invejo-os!) A alegria deles trespassa-me, qual seta enferrujada e embebida em veneno de ratos, as costelas quebradas e cruas de frio. No meio dessa algazarra fomentada pela excitação animal, agarrei a tal reminiscência com as duas mãos incomodamente cerradas, níveas de tamanha força. De seguida, encostei-a aos lábios secos e fendidos pelo prazer distante, e tomando-lhe o amargo paladar aquela última vez, arranquei-lhe a cor á dentada, lenta e violentamente, assassinando-lhe cada átomo de vida, roubando-lhe cada prótese adoentada, pétala a pétala e...

(…)
Quando voltei a mim, reparei que tinha tido o cuidado de não engolir nenhum pedaço… não fosse por lá vomita-lo em seguida.

3 comentários:

Anónimo disse...

Boa tarde. Chamo-me João. Também gosto de escrever, mas não escrevo nada comprado contigo. brilhante blog e brilhantes poemas. o contou ainda o tou a ler, agora não posso mais porque tenho de ir trabalhar. abraço e continuação.

Lviz disse...

Obrigado João, pela visita e pelas palavras =)

Não se pode comparar a escrita de duas pessoas, pois acredito que a razão que leva alguem a escrever difere de pessoa pra pessoa... daí que defendo não haver melhor nem pior, apenas diferente.

Espero que goste do conto e que possas passar mais vezes...

Abraço
Lviz

ana disse...

que textos tão bonitos... poemas em prosa... de um estudante delicadamente abençoado pela autenticidade e falta de bençãos que este mundo tem. N invejes os espectros nem os seus sorrisos... pois de certo o poeta criador vale mais que os seus súbditos resultados... atachi no ai, provavelmente jamais lerás estas minhas singelas palavras...com muita pena minha, pois esta Ana adorava conhecer-te e inveja quem te conhece ...
já agora, deverás saber que sou violoncelista, ou tento sê-lo, já que a música clássica te agrada, Lviz-sama.